A ludicidade no desenvolvimento e aprendizado da criança na escola: reflexões sobre a Educação Física, jogo e inteligências múltiplas

La ludicidad en el desarrollo y aprendizaje del niño en la escuela: Educación Física, juego e inteligencias múltiples.
The ludicity in the children's development and learning at school: Physical Education, game and multiple intelligences.

Postado em em Artigos científicos

EFDEPORTES – Revista Digital – Buenos Aires – Año 13 – N° 119 – Abril de 2008

Joyce Iavorski*, Rubens Venditti Junior**

* Licenciada em Educação Física – UNASP

** METROCAMP e UNASP

Resumo

A Atividade lúdica, representada por jogos e brincadeiras, pode desenvolver o aprendizado da criança dentro da sala de aula: o lúdico se apresenta como uma ferramenta de ensino para o desempenho e desenvolvimento integral dos alunos, com o auxilio da educação física (EF). O jogo na escola traz benefícios a todas as crianças, proporcionando momentos únicos de alegria, diversão, comprometimento com o aprender e responsabilidade. A ludicidade é uma necessidade na vida do ser humano em todas as idades; e não deve ser vista apenas como diversão ou momentos de prazer, mas momentos de desenvolver a criatividade, a socialização com o próximo, o raciocínio, a coordenação motora, os domínios cognitivos, afetivos e psicomotores. Assim sendo, as aulas de EF não precisam ser desenvolvidas somente na quadra, mas dentro da sala de aula, no aprendizado integrado às outras disciplinas. Usar a interdisciplinaridade é possível na EF, os professores podem trabalhar a prática com a teoria, desenvolvendo as inteligências múltiplas e a participação efetiva dos alunos no processo pedagógico. A ludicidade apresenta benefícios para o desenvolvimento da criança: a vontade da criança em aprender cresce, seu interesse aumenta, pois desta maneira ela realmente aprende o que lhe está sendo ensinado.

Unitermos: Ludicidade. Aprendizagem. Educação Física. Inteligências múltiplas.

Resumen

La actividad lúdica, representada por los juegos y los juguetes, puede ayudar en el aprendizaje del niño en el aula: lo lúdico se presenta como una herramienta educativa para el desarrollo integral de los alumnos, con la ayuda de la educación física (EF). El juego en la escuela tiene beneficios para todos los niños, proveyendo momentos de alegría, de diversión, de compromiso con el aprender y la responsabilidad. La ludicidad es una necesidad en la vida del ser humano en todas las edades; y tiene no solamente que ser considerada no solo como diversión o momento de placer, sino también como momentos de desarrollo de la creatividad, la socialización con los otros, el cognición, la coordinación de motora, además de los dominios cognitivos, afectivos y psicomotores. De esta manera, las lecciones de EF no necesitan solo ser desarrolladas en el patio, sino que dentro de la sala de clase, en un aprendizaje integrado con otras disciplinas. Utilizar el interdisciplinariedad es posible en EF; los profesores pueden trabajar la práctica con la teoría, desarrollando las inteligencias múltiples y la participación de los alumnos en el proceso pedagógico. La ludicidad presenta beneficios en el desarrollo del niño: la voluntad del niño en aprender crece, aumenta el interés, por lo tanto de esta manera realmente aprende lo que le están enseñando.

Palabras clave: Ludicidad. Aprendizaje. Educación Física. Inteligencias múltiples.

Abstract

The ludicity in the children’s development and learning at school: physical education, game and multiple intelligences. The playful activity, represented for games and tricks, can develop the learning of children in classroom: the ludicity as a tool of education for the performance and integral development of the pupils, with the assist of physical education (PE). The game in school brings benefits to all children, providing moments of joy, diversion, commitment with learning (engaging) and responsibility. The ludicity is a necessity in the life of the human being in all ages and does not only have seen as diversion or moments of pleasure, but moments to develop the creativity, the socialization with the next one, the reasoning, the motor coordination, instead of cognitive, affective and psicomotoral domains. Thus, the PE lessons do not need only to be developed in sportscourt or square, but inside the classroom, throughout an integrated learning with others disciplines. Using interdisciplinarity is possible to PE, the professors can work practical with theory, developing multiple intelligences and the participation of the pupils in the pedagogical process. The ludicity presents benefits for the child development: the will of the child in learning grows, his interest increases, therefore she really learns what he is being taught to.

Keywords: Ludicity. Learning. Physical Education. Multiple intelligences.

Introdução

Esta pesquisa foi desenvolvida para analisar como a ludicidade pode intervir no aprendizado da criança em algumas disciplinas, desenvolvendo seus saberes com criatividade e desempenho. Com a ludicidade na escola, é possível perceber a criança e estimulá-la no que ela precisa aprender.

A palavra ludicidade tem sua origem na palavra latina “ludus” que quer dizer “jogo”. Se achasse confinada a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogo, ao brincar, ao movimento espontâneo, mas passou a ser reconhecido como traço essencialmente psicofisiológico, ou seja, uma necessidade básica da personalidade do corpo e da mente no comportamento humano, as implicações das necessidades lúdicas extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo de modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. O lúdico faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana, trabalhando com a cultura corporal, movimento e expressão (ALMEIDA, 2006).

Os jogos e as brincadeiras estão presentes em todos as fazes da vida dos seres humanos, tornando especial a sua existência, o lúdico acrescenta um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, possibilitando que a criatividade aflore. Sabendo que o jogo é reconhecido como meio de fornecer à criança um ambiente agradável, motivador, planejado e enriquecido, que possibilita a aprendizagem de várias habilidades, trabalhando também o desempenho dentro e fora da sala de aula, enfocamos neste trabalho sua importância para a Educação Física (EF) escolar.

Para que o lúdico traga esse benefício, é preciso que o professor de EF trabalhe junto com os professores de outras disciplinas, apresentando um ensino com aplicação na realidade. Baseado nisto, Antunes (2002, p. 155-156) afirma que:

É fundamental enfatizarmos a importância do professor literalmente “trazer a rua e a vida” para a sala de aula, fazendo com que seus alunos percebam os fundamentos da matéria que ensina na aplicação da realidade. Usar uma construção em argila, móbiles ou montagens para estudar o movimento ou perceber o deslocamento do ar, tudo é uma serie de atividade, se refletidas e depois idealizadas por uma equipe docente verdadeiramente empenhada, transposta para uma estruturação de projetos pedagógicos, podem facilmente se traduzir em inúmeros recursos que associam a inteligência cinestésico-corporal e outras ao fantástico mundo da ciência, o delicioso êxtase pelo mundo do saber.

Para Kishimoto (2001), existe uma diferença do brinquedo para o material pedagógico baseado na natureza dos objetivos da ação educativa, apresentando seu interesse sobre o jogo pedagógico, quando afirma:

Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, à função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança. Neste sentido, qualquer jogo empregado na escola, desde que respeite a natureza do ato lúdico, apresenta caráter educativo e pode receber também a denominação geral de jogo educativo (KISHIMOTO, 2001, p.83).

O jogo na escola apresenta benefício a toda criança, um desenvolvimento completo do corpo e da mente por inteiro. Por isso, na atividade lúdica, o que importa não é apenas o produto da atividade que dela resulta, mas a própria ação, momentos de fantasia que são transformados em realidade, momentos de percepção, de conhecimentos, momentos de vida. Este jogo permite também o surgimento da afetividade cujo território é o dos sentimentos, das paixões, das emoções, por onde transitam medos, sofrimentos, interesses e alegrias. Uma relação educativa que pressupõe o conhecimento de sentimentos próprios e alheios que requerem do educador uma atenção mais profunda e um interesse em querer conhecer mais e conviver com o aluno; o envolvimento afetivo, como também o cognitivo de todo o processo de criatividade que envolve o sujeito-ser-criança (ALMEIDA, 2006).

É por todos estes motivos que a ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão, mas como um aprendizado. Os desenvolvimentos pessoais que a ludicidade proporciona, associados aos fatores sociais e culturais, colaboram para uma boa saúde física e mental, facilitando o processo de socialização, comunicação, construção de conhecimento, além de um desenvolvimento pleno e integral dos indivíduos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.

Justificativa

Em muitas unidades escolares, os professores de Educação Física (EF) e professores de outras disciplinas encontram dificuldades em compartilhar conhecimentos, que poderiam ser enfatizados com a prática da atividade lúdica, inserida numa perspectiva na qual os educandos poderiam desenvolver seus conhecimentos.

Através de um breve levantamento bibliográfico e a afirmação de alguns pesquisadores do assunto, verificamos que se pode trabalhar o corpo e o movimento dentro da sala de aula de uma forma mais lúdica, onde o aluno irá ter mais interesse em aprender; pois o aspecto lúdico desperta o interesse e a motivação para a aprendizagem.

Por meio da brincadeira, a criança se envolve no jogo/ atividade e sente a necessidade de partilhar com o outro, de dividir com o amigo. Esta relação expõe as potencialidades dos participantes, afeta as emoções e põe à prova as aptidões, testando limites e propondo desafios.

Brincando e jogando, a criança terá oportunidade de desenvolver capacidades indispensáveis a sua futura atuação profissional e social, tais afetividade, o hábito de permanecer concentrada e outras habilidades perceptuais e/ou psicomotoras, pois brincando, a criança torna-se operativa (AGUIAR, 1998).

A atividade lúdica é reconhecida como meio de fornecer à criança um ambiente agradável, motivador, planejado e enriquecido, que possibilita a aprendizagem de várias habilidades, além de trabalhar estas habilidades na criança, ajudará no desenvolvimento da criatividade, na inteligência verbal-lingüística, coordenação motora, dentre outras.

Partindo da consideração de que as atividades lúdicas podem contribuir para o desenvolvimento Intelectual da criança, Platão ensinava matemática às crianças em forma de jogo e preconizava que os primeiros anos da criança deveriam ser ocupados por jogos educativos (AGUIAR, 1998, p. 36).

Desta maneira, a criança aprende com mais facilidade; e dificilmente irá esquecer o conteúdo que foi passado, guardará em sua memória para o resto da vida e também terá incentivo em ensinar aos seus colegas, aprendendo cada vez mais, conseguindo se socializar com o próximo.

O professor de EF pode desenvolver um espaço com os outros professores, trabalhando a interdisciplinaridade1 no aprendizado da criança. Para a criança, isto será algo interessante, aprender matemática de uma maneira mais dinâmica; língua portuguesa, geografia através de coreografia; história através da dança. Mas isto só poderá acontecer se entre os professores e suas disciplinas ocorrer a união das matérias, o trabalho em grupo, com apenas um objetivo: os alunos serem beneficiados e participarem do processo de produção e busca de conhecimento.

Ensinar a criança de uma maneira mais dinâmica é buscar cada vez mais o seu interesse em querer aprender, os jogos e as brincadeiras são somente uma maneira de ensino diferente do que a escola está acostumada a ver. O lúdico na escola é fundamental para promover atividades com jogos, buscando um meio de aprendizagem prazeroso para a criança, ao mesmo tempo em que facilita o trabalho do educador (o professor), pois, através dos jogos, pode ser feita facilmente uma investigação do modo de pensar dos alunos, para ajudá-los a compreender os conteúdos escolares e superar suas dificuldades.

Com a inclusão do lúdico nas aulas das matérias diversas, podemos perceber que a educação física não será vista apenas como algo apenas alienante e recreativo, mas sim uma disciplina que se legitima e se faz necessária no ambiente escolar, aproveitando o jogo, o esporte e a brincadeira como experiência para o amanhã da criança.

Objetivos

  • Compreender e apresentar a atividade lúdica como uma ferramenta no desenvolvimento das inteligências múltiplas, dos saberes e na construção do conhecimento dentro do ambiente escolar.

  • Apresentar através da Educação Física (EF) a forma lúdica de ensinar conteúdos na sala de aula, através de jogos, brincadeiras, ludicidade e movimentos corporais.

Metodologia

Este estudo é uma pesquisa de revisão bibliográfica, fruto de um trabalho de conclusão de curso (TCC), na Faculdade de Educação Física da Universidade Adventista de São Paulo (UNASP), no ano de 2006/ 2007 (IAVORSKI, 2007). Nele, lançaremos mão de obras e autores pertinentes ao tema e também ao fazer cotidiano na escola.

Tivemos como referencial teórico as contribuições de Antunes (2002), Aguiar (1998), Kishimoto (2001), Freire (2002), dentre outros que enfatizam a importância do jogo e da ludicidade no aprendizado escolar. Algumas reflexões de Freire (2002) em sua obra “Educação Física de Corpo Inteiro” foram de extrema importância para a compreensão de fatores ligados ao ambiente escolar: o porquê da rigidez e da disciplina predominante na escola e até mesmo talvez uma aversão do brinquedo e da brincadeira neste ambiente, por serem responsáveis por deturparem a ordem e a disciplina escolares.

O jogo não é aceito como uma ferramenta de ensino dentro da escola. Ele é visto como uma brincadeira que distrai o aluno por alguns minutos, e o dispersa do mundo real. Aguiar (1998) em sua obra “Jogos para o Ensino de Conceitos”, mostra que o jogo é uma atividade que aumenta todo o repertório comportamental de uma criança, desenvolvendo suas capacidades e habilidades.

Kishimoto (2001) em sua obra “Jogo, Brinquedo, Brincadeira, e a Educação” apresenta o uso do brinquedo e do jogo educativo com fins pedagógicos, nos remetendo à relevância desse instrumento para situações de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento infantil, trabalhando o cognitivo, afetivo, físico e social da criança.

Foram realizadas buscas e pesquisas através do site www.google.com.br ; site da educação física e esportes www.efdeportes.com, com as palavras-chave “ludicidade”, “criança” e “aprendizagem”; além de pesquisas em livros e artigos do acervo disponível na biblioteca da USP (Universidade de São Paulo); e também da Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo), durante os meses de outubro de 2006 e janeiro de 2007.

Educação Física Escolar: por onde começar?

A EF trabalha com o corpo e o movimento, com as formas de expressão corporal, uma comunicação através do corpo, à maneira mais dinâmica de se expressar. Seus conteúdos se dão através de jogos, esportes, danças, ginásticas e lutas (ANTUNES, 2002). É a partir de jogos ou brincadeiras que passamos a conhecer o próprio corpo, sua função e principalmente sua importância para o desenvolvimento corporal.

A EF corresponde a uma nova expectativa, como linguagem e conhecimento a ser sistematizado. É através do movimento e da reflexão que auxiliam na construção do ser humano integral, crítico, criativo, independente, autônomo e cooperativo, que conseguimos perceber a importância que o movimento representa nessa formação (SOLER, 2003). Um de seus objetivos deve ser o desenvolvimento de atitudes e conceitos, como participação, cooperação, solidariedade, autonomia, criatividade, fraternidade, dentre tantos outros (ANTUNES, 2002).

Por vários motivos, a formação lúdica possibilita ao educador conhecer-se como pessoa, saber de suas possibilidades, desbloquear resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança, do jovem e do adulto (ALMEIDA, 2006). Para obter essas características nas aulas, o professor poderá trabalhar o ensino com o movimento, incluindo o aspecto lúdico, que não se caracteriza apenas por jogos ou brincadeiras, mas sim um aprendizado. E o que trás a ludicidade para a sala de aula seria o engajamento e iniciativa do próprio agente pedagógico (o educador): a “atitude lúdica” do educador e dos educandos, a forma de expressão e de comunicação utilizada nas dinâmicas de aula. Porém, muitas escolas não aproveitam o lúdico como um instrumento para facilitar o aprendizado da criança. Mas se a atividade lúdica for criada com vista a estimular certos tipos de aprendizagem no desenvolvimento infantil, irá permitir a ação intencional, a afetividade, a construção de representações mentais, os aspectos lógicos e cognitivos, a manipulação de objetos e o desenvolvimento de ações sensório-motoras e também as trocas nas interações sociais, a qual ajudará no convívio com a sociedade e com outras crianças.

A ludicidade muda o comportamento infantil, buscando a autonomia da criança e valorizando a afetividade que envolve o processo do aprender. Brincando, as crianças aprendem a cooperar com os companheiros, a obedecer as regras do jogo, a respeitar os direitos dos outros, a acatar a autoridade, a assumir responsabilidade, a aceitar penalidades que lhe são impostas, a dar oportunidades aos demais; enfim, a viver em sociedade (ROJAS, 2006).

Atividade corporal e brinquedo

Crianças, quando vão às escolas pela primeira vez, geralmente se traumatizam e acabam chorando por dias seguidos, devido à separação das coisas e pessoas. Acham que por estarem na escola, em um ambiente fechado, perdem toda liberdade que tinham em sua casa. Com o passar dos dias, acabam por se acostumar com o ambiente, arrumam amigos e se dedicam no que melhor sabem fazer: brincar, quando lhes é permitido (FREIRE, 2002).

Ao brincar, a criança esquece seu cotidiano e descobre através das ações realizadas com seu brinquedo o poder de criatividade e o seu lado simbólico, muitas vezes esquecido ao penetrar no mundo escolar. As brincadeiras tornam se distração para as crianças e são importantes para o seu desenvolvimento.

Quando pequenas, as mesmas são individualistas e autocêntricas (centradas nelas mesmas). A essa centração da criança nela mesma, Piaget chama de período egocêntrico2:

[...] não significando com isso uma hipertrofia da consciência do eu, mas simplesmente uma incapacidade momentânea da criança de descentrar-se; isto é, de colocar-se em outro ponto de vista que não o próprio” (Piaget apud FREIRE, 2002, p.19).

Devido à centração, a criança constrói sua realidade trabalhosamente: adquirindo noções espaciais e do próprio corpo, diferenciando assim dos objetos ao seu redor. É aceitável que essa centração nela mesma permaneça durante algum tempo, o que não se deseja é que essa autocentração estenda-se por longo tempo, ao decorrer do tempo a autocentração vai sendo modificada pouco a pouco, se o ambiente da escola e da casa lhe permitir que aja em liberdade, sem comprometê-la física e intelectualmente, ela chegará ao 2º ciclo do Ensino Fundamental (FREIRE, 2002).

Existem muitas escolas que não vêem a importância do brinquedo e da atividade física para a criança, achando que só a alfabetização é importante. De acordo com FREIRE (2002, p.20): “de que nada vale esse enorme esforço para a alfabetização se a aprendizagem não for significativa. E o significado, nessa primeira fase da vida depende, mais do que qualquer outra, da ação corporal”.

Não adianta somente passar as informações para a criança, sem saber realmente que ela esteja conseguindo aprender da maneira que lhe está sendo ensinada. A educação física oferece à criança a oportunidade de vivenciar formas de organização, a criação de normas para a realização de tarefas ou atividades e a descoberta de formas cooperativas e participativas de ação, possibilitando a transformação da criança e de seu meio (GALLARDO, 1998, p.25).

Segundo FREIRE (2002), as brincadeiras têm grande significado no período da infância, onde de forma segura e bem estruturada pode estar presente nas aulas de EF dentro da sala de aula. Com uma conduta mais alegre e prazerosa, poderemos ver traços marcantes do lúdico como ferramenta de grande importância e com um imenso fundamento no aprendizado da criança sem descaracterizar a linha desenvolvimentista do âmbito escolar.

As brincadeiras do mundo de rua que se aprende quando crianças também podem ser utilizadas pelos professores. Aprender na rua significa aprender com a vida, ou melhor, com vidas elas enriquecem ainda mais as aulas, esta é uma forma confiável do professor interagir com o cotidiano do aluno (SOLER, 2003). A satisfação das crianças em poderem também brincar seus jogos e brincadeiras dentro da escola faz com que as mesmas desenvolvam seus atributos motor, cognitivo e afetivo-social. Isto rompe as atuais barreiras entre escola e comunidade: a escola abre os portões para a entrada da realidade e dos valores reais de seus educandos e a comunidade permite e participa que a escola transcenda e transforme estas realidades e cotidianos também.

A respeito do jogo

O jogo é um caso típico das condutas negligenciadas pela escola tradicional, dado o fato de parecerem destituídas de significado funcional. Para a pedagogia correta, é apenas um descanso ou o desgaste de um excedente de energia. Mas esta visão simplista não explica nem a importância que as crianças atribuem aos jogos e muito menos a forma constante de que se revestem os jogos infantis, simbolismo ou ficção (PIAGET, 1972, p.156).

O jogo é construtivo, pois pressupõe uma ação do indivíduo sobre a realidade, é uma ação carregada de simbolismo, do faz-de-conta, que reforça a motivação e possibilita a criação de novas ações. Souza (2006) considera o jogo importante para o crescimento de uma criança, apresentando a idéia de desenvolvimento humano a partir das ações que o sujeito exerce sobre o ambiente. E ao dedicar-se aos estudos sobre jogos e embasado nas propostas de Piaget, ressaltou-os em: jogo de exercício, no período sensório-motor; jogos simbólicos, no período pré-operatório; e jogos de regras.

Quando uma criança é pequena e ainda não desenvolveu sua linguagem verbal, ela passa a repetir os gestos que está observando, mesmo que seu uso não seja necessário. Esta habilidade é utilizada como uma conduta lúdica, sendo executada por prazer representando o ato corporal, um jogo de exercício uma ferramenta a qual se trabalha o aspecto sensório-motor; isto é, representações mentais que caracterizam o pensamento (FREIRE, 2002). Para Piaget apud FREIRE (2002, p.116) “O jogo de exercício não tem outra finalidade que não o próprio prazer de funcionamento”.

Já o jogo simbólico é o ato de faz-de-conta, aquilo que na realidade não foi possível, mas está na mente da criança, uma expressão afetiva que seria o gesto corporal, o momento em que seu pensamento e sua imaginação fluem, tendo um papel semelhante ao de jogo de exercício.

O jogo de regras representa as coordenações sociais, as normas a que as pessoas se submetem para viver em sociedade. A regra é imposta pelo grupo, por mais que a atividade pareça ser “séria”, a criança não deixa que escape a fantasia aos vôos da imaginação. O jogo de regra é estruturado pelo seu caráter coletivo. O jogo de regras não deixa que escape o jogo simbólico nem o jogo de exercício, pois todos trabalham juntos.

O jogo ajuda no desenvolvimento corporal e mental de uma criança. Na escola, “não é possível separar adaptação de jogo, pois enquanto brinca a criança pensa incessamente” (FREIRE, 2002, p.118). Na educação escolar, o jogo é proposto como uma forma de ensinar conteúdos às crianças, o jogo se trata de um instrumento pedagógico, um meio de ensino.

O jogo de construção

O jogo de construção, enfatizado por Freire (2002), difere da caracterização de Souza (2006) e é mais uma forma de desenvolvimento da criança, uma mudança no ato de brincar:

O jogo como o desenvolvimento infantil, evolui de um simples jogo de exercício, passando pelo jogo simbólico e o de construção, até chegar ao jogo social. No primeiro deles, a atividade lúdica refere-se ao movimento corporal sem verbalização; o segundo é o faz-de-conta, a fantasia; o jogo de construção é uma espécie de transição para o social. Por fim o jogo social é aquele marcado pela atividade coletiva de intensificar trocas e a consideração pelas regras (FREIRE, 2002, p.69).

A criança, através de objetos e brinquedos, mostra o mundo simbólico, um simbolismo lúdico, no qual a brincadeira que a criança desenvolve é quase que imaginária, o brincar de faz-de-conta, aquilo que não é. São representações livres, pouco vinculadas à realidade que atinge o nível de compreensão da criança em relação ao mundo que a cerca.

Ao trabalhar com o próprio corpo, a criança tem certa dificuldade em interpretar o simbolismo com o ato corporal. Mas, com a evolução do brincar, suas descrições verbais passam aos objetos utilizados, procurando reproduzir com materiais o que caracteriza o jogo de construção.

O jogo de construção deixa de lado um pouco o simbolismo, para desenvolver a socialização da criança com o mundo social. Para que a criança encontre amplo espaço de expressão dentro do jogo de construção, precisa dispor de material variado e de contato com a natureza. O professor irá trabalhar com os lados cognitivo, físico e afetivo da criança trazendo a criatividade para dentro da sala de aula.

A improvisação de material é estimular a criatividade da criança para que ela também possa fazer o mesmo, criar um brinquedo do seu próprio gosto. Isto irá despertar o interesse da criança em aprender e a criar algo diferente. Materiais diversificados trazem o lúdico como uma forma de aprendizado e desenvolvimento: “O jogo contém um elemento de motivação que poucas atividades teriam para a primeira infância: o prazer da atividade lúdica” (FREIRE, 2002, p.75).

Tipos de brinquedos e brincadeiras

Os brinquedos são objetos manipuláveis, recursos voltados ao ensino que desenvolvem e educam de forma prazerosa; permitindo a ação intencional, a manipulação de objetos, o desempenho da ação sensório-motora e troca na interação, em um contexto diferenciado. A função do brinquedo no processo pedagógico hoje é permitir o desenvolvimento da criança na apreensão do mundo e em seus conhecimentos. Para tanto, esse brinquedo pode ser escolhido voluntariamente e vai atingir sua função lúdica quando propiciar prazer, diversão ou até mesmo desprazer.

Os brinquedos educativos materializados destinados a ensinar estimulam o raciocínio, atenção, concentração, compreensão, coordenação motora, percepção visual, dentre outras. São brincadeiras com cores, formas, tamanhos, brincadeiras de encaixe, que trabalham noções de seqüência; quebra-cabeças que exigem a concentração, memória e raciocínio para juntar uma peça na outra; tabuleiros que exigem a compreensão do número e das operações matemáticas (FREIRE, 2002).

A psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades interna e externa da aprendizagem, tomadas em conjunto. Procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua complexidade, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão incluídos. O uso do brinquedo / jogo educativo com fins pedagógicos para situações de ensino-aprendizagem (a qual envolve o ser humano em processos interativos, com suas cognições, afetividade, corpo e interações sociais) é de grande relevância para desenvolvê-lo, utilizando o jogo como ensino-aprendizagem na construção de conhecimento, introduzindo as propriedades do lúdico, do prazer, da capacidade de iniciação e ação ativa e motivadora (KISHIMOTO, 2001).

O brinquedo ensina qualquer coisa que complete o indivíduo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo, o brinquedo educativo conquistou espaço na educação infantil. Quando a criança está desenvolvendo uma habilidade na separação de cores comuns no quebra-cabeça à função educativa e os lúdicos estão presentes, a criança com sua criatividade consegue montar um castelo até mesmo com o quebra-cabeça, através disto utiliza o lúdico com a ajuda do professor (KISHIMOTO, 2001, p.36-37).

A relação entre a Educação Física e as outras disciplinas da escola

De modo geral, pouca importância se dá a uma possível relação entre as atividades da disciplina de Educação Física e aquelas outras ditas teóricas, realizadas em sala de aula. Na escola, não existe entendimento entre “mente” e “corpo” em que os dois teriam de ser somente um, como um aluno integral, dinâmico e humano. A escola não acredita na importância da interdisciplinaridade entre as matérias e movimentos corporais na Educação Infantil. Por essa razão, a “relação entre a Educação Física e outras disciplinas, embora muito estreita, é pouco percebida” (FREIRE, 2002, p.184).

A escola exige que as crianças leiam, escrevam, calculem; enfim, que compartilhe símbolos, linguagens comuns a uma sociedade. Para que isso aconteça, a atitude socializada deve ser praticada em carteiras estáticas e uniformes, que isolem as crianças uma das outras, com tarefas individuais em contraposição às possibilidades coletivas e trabalhos em equipes, que valorizem e trabalhem as diferenças e diversidades dos alunos. Exige-se uma atitude socializada, através de práticas individualizantes (FREIRE, 2002, p.183). Este é um ponto paradoxal muito presente ainda na escola: como é possível desenvolver e estimular o aspecto social e o convívio se as perspectivas valorizam e instigam ao isolamento, competição e individualismo desde a educação infantil.

Isolar a criança das outras não as ajuda a ter uma socialização agradável em meio à sociedade. Somente as separam da realidade, dificultando seu crescimento intelectual e social. Por essa razão, muitas crescem sem saber conviver e trabalhar em grupo.

Através da atividade lúdica para o desempenho desta criança pode ajudá-la a aprender a conviver com os colegas e aumentar seus conhecimentos. Portanto, é importante demonstrar as relações entre os conteúdos da disciplina Educação Física e as demais disciplinas, não na sua importância como meio auxiliar daquelas, mas na identificação de pontos comuns do conhecimento e na dependência que o corpo e mente, ação e compreensão, possuem entre si. Com relação aos pontos comuns:

Dificilmente um professor de matemática deixaria de ressaltar o valor das atividades físicas para dar destaque ao papel de sua disciplina na formação das crianças, apresentando o quanto pode ser importante à motricidade para o desenvolvimento da inteligência (FREIRE, 2002, p.182).

A matemática pode ser adaptada à aula de Educação Física. E será de grande proveito, pois a criança desenvolverá a matemática de uma maneira mais dinâmica e alegre. Para ela, o aprender será uma grande alegria. “É bom para a criança aprender a contar, ler e escrever em numerais, mas é muito mais importante que ela construa a estrutura mental do número” (FREIRE, 2002, p.185).

A matemática nas escolas não agrada a todas as crianças, mas os educadores devem saber ensinar uma matemática diferente. Não somente a matemática, mas todas as matérias. A EF não precisa ser dependente, mas autêntica. A EF não precisa ficar sempre subserviente à matemática ou ao português. Em termos cognitivos, a coordenação motora, conteúdo específico da Educação Física, atua sempre na formação do conhecimento que alimenta sempre a cognição das outras disciplinas, tanto quanto à afetividade e a socialização. E por que não o caminho inverso? Utilizar e ter a colaboração das outras disciplinas para o aprendizado dos conteúdos específicos e legítimos da EF escolar, tão importantes para o desenvolvimento infantil. Seria possível tornar consciente esse conhecimento e inevitavelmente refleti-lo no aprendizado de conteúdos de outras disciplinas, a menos que a incompetência pedagógica da escola não a permita (FREIRE, 2002, p.186).

Combinação com atividades de sala

O que a criança aprende quando pequena, serve de base para uma aprendizagem superior. Ela não aprende de um dia para o outro, mas gradativamente. Portanto, deve-se trabalhar em grupo suas capacidades individuais, para que seja desenvolvido o convívio em grupo.

A Educação Física não precisa ser uma disciplina auxiliar das outras, mas ter uma identidade própria, mantendo com as demais uma necessária interdisciplinaridade, a união entre elas, como discorremos até o momento. Porém, todo conhecimento adquirido serve de base para o próximo, mais elaborado. Sendo assim uma vez que tenha um bom domínio de alguma habilidade, pode-se combiná-la com ensinamentos de sala de aula, como leitura, escrita e cálculo (FREIRE, 2002, p.188).

Na escola, o jogo dramático estimula a leitura e a escrita e, com base neste estímulo, o indivíduo exercita-se sem fadiga, adquirindo um bom domínio na linguagem corporal, oral e escrita, naturalmente desencadeada pelo exercício gestual, geralmente de forma prazerosa (CANDA, 2006).

Com as atividades corporais, a criança melhora suas habilidades na qual já existe um conhecimento. E também aprende outras, aprende a realizá-las em grupos e com regras. Espera-se que todo conhecimento em matemática, da escrita e leitura, e da Educação Física possam se entrelaçar num todo que garante a esse aluno uma vida de participação social satisfatória, de dignidade, de justiça e de felicidade.

Exemplos de algumas atividades com função educativa

Para o desenvolvimento destas habilidades, serão apresentadas como exemplos ilustrativos algumas atividades lúdicas com função educativa, que se apresentam a seguir.

Jogo de palavras/ jogo do telefone sem fio/ trava-línguas

Este jogo poderá envolver várias matérias como, por exemplo, ciências físicas e biológicas, geografia ou história, uma teoria ou um teorema, uma lei natural ou outro tema descrito com as palavras fora de ordem, um estímulo para sua estruturação no vocabulário e configurarem-se em um valioso recurso para o uso em sala de aula. A estratégia de aprendizagem reconhecida como jogo de palavras, trabalha a concepção visual, além de enriquecer o repertório lingüístico do educando (ANTUNES, 2002).

O jogo do telefone sem fio, além de ser uma estratégia para o pensamento crítico, é um estímulo às contextualizações e também representa uma ferramenta valiosa para a inteligência verbal-lingüística.

O jogo de trava-línguas também irá estimular o aluno a desenvolver sua inteligência verbal-lingüística, pois exigirá um empenho maior da criança sobre o que está sendo ensinado. A forma em que a criança consegue pronunciar palavras rápidas e longas, desenvolvendo a fala, a audição e atenção.

Jogo de caça ao erro

Um jogo elaborado pelo próprio professor dentro da sala de aula. O “caça aos erros” pode ser feito em anúncios, avisos, recados, frases ou mesmo nos textos elaborados pela escola. É possível selecioná-los nos conteúdos das disciplinas ensinadas, inclusive a EF, ou em alguns eixos temáticos importantes e solicitar aos alunos que busquem notícias sobre os mesmos, estimulando a concepção visual, a escrita, trabalhando a língua portuguesa. O caça ao erro estimula o raciocínio rápido, o conhecimento entre as palavras e também incentiva a busca de novas palavras (ANTUNES, 2002).

Fantasiando com a verdade

A brincadeira “Fantasiando com a verdade”, poderá ser desenvolvida através de teatro, abordando os assuntos como: geografia, história, literatura, ciências e educação física. O professor poderá sugerir divagações e a criação de fantasias que contextualizem esses temas ou tema que se pretende demonstrar, os personagens da história podem ser inventados pelos alunos, mas o cenário do enredo criado pode ser verdadeiro. A imaginação de uma criança flui sem parar, basta dar oportunidade a ela e acreditar que será capaz de criar os personagens, falas, cenários (ANTUNES,2002).

Adivinhar o tempo

O professor avisa às crianças que vai marcar no relógio um determinado tempo, em segundos e/ou minutos. Ao sinal de início do professor, as crianças tentam calcular mentalmente o tempo. Conforme seus cálculos, elas informam ao professor quando acham que o relógio chegou ao tempo proposto pelo professor. Assim, ao término do jogo, o professor revela qual delas chegou mais perto ou acertou o tempo (FREIRE, 2002). O espaço e o tempo não são categorias acessíveis ao nosso mecanismo sensorial, ninguém vê o tempo ou o espaço, somente vai formando a idéia de tempo. Os professores devem estimular a realização de atividades rítmicas, com a preocupação de desenvolver a noção de tempo das crianças. As atividades com música, com capoeira e danças folclóricas, o uso de instrumentos, da voz, são alguns dos recursos que, dependendo das condições de cada escola, podem ser propostas num programa de Educação Física (FREIRE, 2002, p.186).

Atividade lúdica: uma forma de ensino

As atividades motoras, desenvolvidas através de propostas de ensino da Educação Física podem permitir a abertura às experiências dos alunos e uma formação para cidadania, destacando-se, sobretudo, as questões morais, sua prática pedagógica e a forma de conduzir e propor as situações de ensino e aprendizagem por meio das atividades, procurando captar as perspectivas de descoberta através da proposição de conflitos, a tomada de consciência, as relações entre o fazer e compreender (FREIRE, 2002).

Para muitas crianças a aula de Educação Física é o momento mais prazeroso e desejado da rotina escolar, é a oportunidade para o movimento, o grito, o abraço, o entusiasmo, o momento de dispersão. Por estes momentos prazerosos, será que em outras disciplinas também não é possível usar o corpo e o movimento como recurso ou linguagem de comunicação de conteúdos? Talvez o aluno que realmente aprendeu história poderia falar de seus saberes com a linguagem corporal; ou usar a coreografia do movimento, a magia da mímica para explicar teorias… Até quando o encantamento das quadras não pode invadir a sala de aula e os saberes cognitivos serem procurados na quadra? (ANTUNES, 2002).

Talvez ocorra preocupação em saber que as matérias podem se unir, ou se transformar em apenas uma. Isto pode perturbar muitos professores na escola, achando que por causa da interdisciplinaridade o ensinamento não será o mesmo, e nem o aprendizado.

De acordo com Platão, a criança aprende através de jogos: se “ensina(va) matemática às crianças em forma de jogo e preconizava que os primeiros anos das crianças deveriam ser ocupados com os jogos educativos” (AGUIAR, 1998, p.36). A importância da criança aprender com o lúdico é muito bem focado por outros autores, sendo um deles Silva (2005; 2006), que afirma: “A importância dos jogos no desenvolvimento da criança tem que ser enfatizados” (SILVA, 2005, p. 22). É através destes momentos que a Educação Física pode trazer benefícios a estas crianças; uma vez que possibilita o desenvolvimento de habilidades e oportunidade para o aprendizado. Froebel apud AGUIAR (1998, p.36) foi o primeiro pedagogo a “incluir o jogo no sistema educativo, acreditava que a personalidade da criança pode ser aperfeiçoada e enriquecida pelo brinquedo”.

Conseqüentemente, as crianças aprendem através do brincar: admirável instrumento para promover a educação, o jogo é um artifício que a natureza encontrou para envolver a criança numa atividade útil ao seu desenvolvimento físico e mental. “A criança que joga acaba desenvolvendo suas percepções, sua inteligência, suas tendências à experimentação, seus instintos sociais” (PIAGET, 1972, p. 156).

Os jogos não apenas são uma forma de entretenimento para gastar energia das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual.

A atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo por isso, indispensável à pratica educativa. E, pelo fato de o jogo ser um meio tão poderoso para a aprendizagem das crianças que em todo lugar onde se consegue transformar em jogo a iniciação a leitura, ao calculo ou à ortografia, observa-se que as crianças se apaixonam por essas ocupações, geralmente tidas como maçante (AGUIAR, 1998, p.37).

Através da atividade lúdica ocorre um progresso da assimilação a tudo que lhe é passado. Por todos estes motivos que “os jogos fazem parte do universo infantil; são objetos sociais que trazem dentro de si uma infinidade de conteúdos que integram as disciplinas escolares” (AGUIAR, 1998, p.43). Aprender brincando é crescer atuando no desempenho, o jogo é praticamente a vida de uma criança, é fazer com que ela aprenda a viver e a desenvolver seus conhecimentos ensinados3.

Além da EF ajudar a criança dentro da sala de aula, poderá colaborar no desenvolvimento corporal e também no desenvolvimento de relacionamentos mais amigáveis entre professores e alunos. Mesmo que alguns professores não acreditem muito no relacionamento amigável com o aluno, pensando que a seriedade “impõe respeito”, a grande dificuldade de certos professores é exatamente incluir o lúdico na sala de aula, pensando que o lúdico não é algo sério, por essa razão o lúdico e a seriedade são colocados em corpos opostos.

Se analisarmos a relação de não-seriedade (e descompromisso) do jogo, isso não significa que o jogo não é sério, pelo contrário, muitas formas de jogo são extremamente sérias: “a seriedade procura excluir o jogo, ao passo que o jogo pode muito bem incluir a seriedade” (GALLARDO, 1998, p.112).

O professor pode adquirir um relacionamento com seu aluno, passando a ser um amigo em todos os momentos. Não adianta o professor somente querer ensinar e esquecer-se de aprender. É preciso procurar saber se algo está errado com a criança; pelo simples fato de ela, na atividade e na execução de um exercício, não conseguir ter a capacidade para realizá-lo (MOREIRA, 2004). Daí a utilização também as propostas das inteligências múltiplas, associadas às características dos jogos e da ludicidade no ambiente escolar.

Como estimular as inteligências através das aulas de Educação Física?

Buscando conceituar inteligências

Existe um certo consenso intelectual de que inteligência passa a ser concebida como uma capacidade de resolver problemas ou de elaborar produtos que seja valorizado em um ou mais ambientes culturais (ANTUNES, 2002, p.13).

(…)

A inteligência é a compreensão fácil, um potencial que se manifesta na mente humana através de uma constelação de funções cerebrais, altamente organizadas, resultantes de uma imbricação de ações que envolvem neurônios e neuro transmissores, sinapses e fluxos sanguíneos (ANTUNES, 2002 p.113).

As definições de inteligência tornaram-se mais abrangentes, considerando diversos escopos de habilidades e domínios, indo desde a capacidade para resolver problemas e constituir produtos válidos para um contexto cultural até a potência para disponibilizar diferentes recursos cerebrais para se adaptar a alguma situação e para agir ou responder a demandas ambientais. As inteligências mudam de criança para criança, para testar estas inteligências poderá ser realizado um teste de quociente de inteligência. “Um teste de inteligência de fato prevê a habilidade da pessoa de haver-se com materiais escolares embora preveja pouco sobre o sucesso na vida” (GARDNER, 1994, p.3).

Não existe uma única inteligência, as inteligências são múltiplas (GARDNER, 1994), incluindo dimensões. Em geral, são oito inteligências: a) verbal-lingüística; b) lógico-matemática; c) viso-espacial; d) musical; e) cinestésico-corporal; f) interpessoal e g) intrapessoal.

Neste texto, abordaremos apenas três delas: a lógico-matematica; musical e, finalmente, a cinestésico-corporal, de muita importância para a valorização e legitimação da EF escolar. Não é tão simples classificar essa multiplicidade de inteligências, que pode ser constatada pela observação da mente humana. Assim, o potencial de inteligência varia de pessoa para pessoa, pelo seu desenvolvimento e desempenho, considerando-se fatores e vetores inatos e adquiridos.

A inteligência lógico-matemática

A inteligência lógico-matematica “está associada à competência em desenvolver raciocínios dedutivos e em construir cadeias causais e lidar com números e outros símbolos matemáticos” (ANTUNES, 2002, p.13). Também se manifesta pela capacidade e pela sensibilidade para separar e transformar símbolos numéricos, bem como pela capacidade de trabalhar longas cadeias de raciocínios aritméticos, algébricos ou geométricos (domínios do conceito matemático); gosto por atividades ou jogos de xadrez ou tangrans; e habilidades para trabalhar idéias que envolvam o espaço ou os raciocínios numéricos. Jogos para despertar a consciência operatória e significativa dos sistemas de numeração que está embutida na idéia do “muito” e do “pouco” (quantidade e ordenações); jogos específicos para o estímulo de operações e conjuntos (jogos operatórios com as ferramentas básicas de avaliação lógica-matematica; ou seja, os instrumentos de medida); e finalmente jogos estimuladores de raciocínio lógico (ANTUNES, 2002, p.72).

Estes jogos podem ser trabalhados dentro da escola com o professor de educação física em conjunto com o professor de matemática, ensinando a estimular seu raciocínio crítico, percepção espacial, a lógica e o raciocínio do universo numérico.

Inteligência musical e atividades rítmicas

A inteligência musical “representa um sentimento puro na humanidade e esta à percepção formal do mundo sonoro e o papel desempenhado pela música como forma de compreensão do mundo” (ANTUNES, 2002, p.13). Revelando-se como a capacidade para combinar e compor sons não-verbais, para identificar sua unidade específica e para encadeá-los em uma seqüência lógica e rítmica, bem como estruturá-los em harmonia e compor melodias, que envolve um ambiente ou lugar.

A música é a linguagem que se traduz em formas capazes de expressar sensações, sentimentos e pensamento. Está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, política, etc. Faz parte da educação desde há muito tempo, sendo que, já na Grécia antiga, era considerada como fundamental para formação dos futuros cidadãos (OLIVATTO, 2002).“De todos os talentos com que os indivíduos podem ser dotados, nenhum surge mais cedo do que o talento musical” (GARDNER, 1994, p.78).

Indivíduos se destacam pela capacidade de se produzir e apreciar ritmos através de sons. A música motiva a quem escuta, provocando movimentos da cabeça, braços, pernas; conhecidas como expressões rítmicas, que levam a um estado agradável de encanto chamado e conhecido por nós como dança (IAVORSKI, 2007).

Talvez a dança, junto com a música, sejam os elementos mais importantes para que se possam desenvolver atividades lúdicas nos estabelecimentos escolares. A dança já existe desde os tempos mais remotos e é referenciada na mitologia (OLIVATTO, 2002). Dançar é tão importante para uma criança quanto falar, contar ou aprender geografia. É essencial para a criança que não desaprenda essa linguagem, pela influência de uma educação repressiva, preconceituosa e frustrante (MOREIRA, 2004, p.72).

Ocorre uma tentativa de separação em nossa escolaridade do ensino da música e da dança de outras disciplinas. É importante que o professor descubra e mostre aos seus alunos que os temas trabalhados são ricos e que sua compreensão é bem mais completa quando associamos um fato e uma circunstância a um som que os emoldura. A inteligência musical e rítmica é uma das inteligências humanas que mais se desenvolve, podendo ser percebida, isoladamente, quando limitações em outras áreas não impedem a sensibilidade para a composição musical. Se os sons forem associados a conteúdos diversos, e os alunos forem progressivamente levados a estabelecer essas relações, da mesma maneira como organizarão um volume de saberes, poderão organizar também igual volume de informações sonoras, rítmicas e musicais. “A música é uma sucessão de sons e combinação de sons organizados de modo a exercer uma impressão agradável ao ouvido e sua impressão à inteligência é ser compreensível…” (GARDNER, 1994, p.82).

Alguns alunos podem descobrir, por meio de pesquisa, entrevistas com especialistas, diferentes “línguas faladas” por instrumentos musicais, agrupar essas línguas em “culturas” e inventar diferentes “diálogos” entre instrumentos. “No caso da linguagem há considerável ênfase, na escola, em aquisições lingüísticas adicionais, a música ocupa uma posição relativamente baixa em nossa cultura e então o analfabetismo musical é aceitável” (GARDNER, 1994, p.86).

Essa atividade pode estimular comparações com outros tipos de agrupamentos, facilmente constatadas nas ciências, matemática, geografia, história ou mesmo elementos da gramática. Incentivar a criança a montar uma paródia relacionada ao que foi aprendido durante a semana, o professor escolhe o tema e passa ao aluno desenvolver este trabalho em grupo, podendo ser representado através de dança, ritmos, ou música. Estas propostas incentivam a memorização através da associação, melhor compreensão de conteúdos, além de socialização do trabalho em grupo e motivação à criatividade, através do envolvimento de todos. Usando a interdisciplinaridade, permite-se que o lúdico entre na sala de aula e que este ambiente se torne agradável e motivante para o aprendizado cotidiano da criança.

A inteligência cinestésico-corporal

A inteligência cinestésico-corporal pode ser identificada como uma capacidade para controlar e utilizar o corpo. É a inteligência que se manifesta nas mais diversas expressões corporais: na dança, na mímica, na prática esportiva e no uso da linguagem corporal para propósitos de comunicação. Esta comunicação ocorre através do corpo, do movimento corporal. Diversas capacidades e habilidades físicas são associados a essa inteligência: forças, equilíbrio, destreza, agilidade, flexibilidade, etc. As atividades que fazem da linguagem corporal um elemento da aprendizagem são muitas e extremamente diversificadas, mas em sala de aula quase nada se faz, persistindo-se no erro de separar mente do corpo, a sala de aula da quadra esportiva.

A mímica pode ser um instrumento interessante de construção de saberes; e o uso do corpo para explicar fatos constituídos para exploração de uma linguagem diferente deveris ser mais utilizado no ambiente escolar. Com a mímica, pode-se reforçar a compreensão de conteúdos ministrados e estimular referências que ajudem a guardá-la na memória de longa duração, por estratégias mnemônicas e associativas e mais que isso, que o aprendizado seja significativo e compreensível à realidade do educando.

Quando os professores de Educação Física são percebidos pela escola como profissionais imprescindíveis para levar os alunos a descobrirem seu corpo e as possibilidades de movimento, a adotarem hábitos saudáveis e qualidade de vida, a desenvolverem espírito crítico em relação a imposições de padrões sobre saúde, beleza e estética, é impossível que não se relacione a estes itens o estimulo à inteligência cinestésico-corporal.

Na educação física, os jogos que estimulem a inteligência cinestésico-corporal e a motricidade, podem ser associados à coordenação manual e à atenção; à coordenação viso-motora e tátil; à percepção de formas e percepções tridimensionais, aos conceitos de peso e tamanho e, finalmente, a jogos sensoriais, tais como jogos estimuladores do paladar e da audição. A educação física pode colaborar sobremaneira no desempenho do aluno dentro da sala de aula, trabalhando e desenvolvendo suas inteligências, sua forma de se expressar e de ser no mundo e na realidade escolar, onde convive.

Os jogos e a aprendizagem

Jamais pense em usar os jogos pedagógicos sem um rigoroso e cuidadoso planejamento, marcando por etapas muito nítidas e que efetivamente acompanhem o progresso dos alunos (ANTUNES, 2002, p.37).

Os jogos pedagógicos têm que ser planejados pelo professor cuidadosamente, para saber o objetivo da aula. “Os jogos ou brinquedos pedagógicos são desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento” (ANTUNES, 2002, p.38). O professor deve preparar seus alunos para o momento especial a ser propiciado pelo jogo e explicar a razão pela qual está adotando o jogo naquele momento da aula.

Na língua portuguesa, podem ser utilizados jogos que explorem as inteligências lingüísticas, espaciais e pessoais. Aplicando o uso da linguagem para facilitar a expressão, compreender textos escritos e orais, construir imagens diversas com as palavras e transformar a linguagem em instrumento para a aprendizagem. Já nas Ciências, “entender a natureza como um todo dinâmico e como um conjunto complexo de seres e ambiente, incluindo o homem, e perceber sua atuação como agente transformador da paisagem” (ANTUNES, 2002 p.44), poder-se-ia estimular os educandos a realizarem experimentos, analisarem situações e reações, incluindo o funcionamento e reações orgânicas e fisiológicas durante o esforço e exercício, os períodos amturacionais, hormônios e sexualidade poderiam ser facilmente trabalhados também.

Na matemática, são utilizados os jogos que explorem a inteligência lógico-matemática, musical e espacial. Identificar os conhecimentos matemáticos como um dos meios para o conhecimento do mundo, resolver problemas e desenvolver formas de raciocínio. Na história, pode-se utilizar os jogos que explorem a inteligência musical, cinestésico-corporal e espacial. Através destes jogos, poder-se-á identificar no próprio grupo os fundamentos da historicidade do ambiente, perceber o espaço em que vivem como portadores de outras características em outros tempos, localizar eventos em uma seqüência temporal e explicar o presente, através de analogias com o passado, ou previsões ou prognósticos comparativos do futuro.

Na Geografia, os docentes podem se utilizar dos jogos que explorem a inteligências pessoais e a naturalista (ambiental). Fazer com que conheçam o espaço geográfico e construam conexões que permitam aos alunos perceber a ação de homem em sua transformação e em sua organização no espaço físico e social. Vale ressaltar que “os temas não constituem novas áreas e, menos ainda, novas disciplinas curriculares, e assim pressupõe um tratamento integrado pelas diferentes áreas, e, portanto uma concreta interdisciplinaridade” (ANTUNES, 2002, p.44).

Considerações finais

Através desta pesquisa, fica possível perceber que a atividade lúdica e o jogo intervêm no aprendizado da criança na sala de aula. O jogo é agradável, motivador e enriquecedor, possibilitando o aprendizado de várias habilidades e também auxiliando no desenvolvimento mental, na cognição e no raciocínio infantil. A ludicidade precisa ser trabalhada por todos os professores, independente da disciplina que atuam, dentro e fora da sala de aula.

Os professores devem usar a interdisciplinaridade para ensinar as crianças. E precisam planejar cuidadosamente os objetivos das aulas e trocar informações entre si. Mas o que realmente acontece nas escolas é uma distância entre o professor de Educação Física e outros professores: há um imenso abismo, obscuro e íngreme, entre os docentes de classe e os professores de fora da sala de aula – no caso, nós, os professores de EF.

Os professores precisariam se unir para trazer novamente o prazer às crianças em aprender. E também os próprios professores recuperarem a vontade de ensinar. O foco que devemos ter é apenas o benefício da criança, conhecê-la realmente, saber suas dificuldades e vontades; e é através do lúdico que conseguiremos reconhecer os problemas de cada criança, apresentando a elas um mundo real, misterioso e curioso para se aprender e transformar.

Através da interdisciplinaridade, os professores não deixariam os aspectos teóricos e os conhecimentos de lado… Apenas problematizá-los em conjunto com os aspectos práticos e problematizações reais e contextualizadas. Ensinariam o que fosse preciso, aplicável, usando a dinâmica de jogos e brincadeiras, que poderia estimular o desenvolvimento do raciocínio, além de estimulá-las com desafios que as incitassem a serem mais ágeis, espertas, atenciosas, criativas e dinâmicas, condutoras de seus próprios movimentos. Trabalhar as inteligências múltiplas na EF desenvolveria diversos domínios, além dos motores: o pensar; o compreender; o movimentar; o falar; dentre outros.

A EF não deveria estar tão distante da sala de aula, pois ela é quem pode mostrar com propriedade o verdadeiro fundamento da atividade lúdica para o desenvolvimento infantil.

Pudemos observar que a ludicidade, apesar de diversão e prazer, é uma possibilidade muito rica de aprendizado, com inúmeras potencialidades para se desenvolver habilidades, competências (PERRENOUD, 2000) e produtos culturalmente valorizados atribuídos à resolução de problemas e situações reais ou simulativas. Consequentemente, estas situações estimulariam momentos de criatividade espontâneos e individualidades; crescimento intelectual e continuidade para o desenvolvimento das inteligências múltiplas. Assim sendo, surge nessa proposta a necessidade de um alto engajamento, envolvimento e motivação por parte dos educadores e professores de Educação Física, pois ensinar e aprender passa a ser uma responsabilidade muito grande… Finalizando, poderíamos pensar no surgimento de outro paradoxo, utópico, mas que poderia se realizar: como a diversão e brincadeiras são coisas que deveriam ser levadas muito “a sério” no ambiente educacional…

O desafio está lançado… Mãos à obra e muito estudo, reflexões e discussões!

Notas

  • Interdisciplinaridade “pressupõe a existência de ao menos duas disciplinas como referência e a presença de uma ação recíproca” (FAZENDA, 1998, p.46).

  • Egocêntrico – Segundo BUENO (1996, p. 226): “é personalista, que só se refere ao próprio eu, que só se preocupa consigo”.

  • Foi realizado um estudo com crianças envolvendo os domínios cognitivos, afetivo-social e psicomotor, por meio do qual mostrou os efeitos das atividades lúdicas no desenvolvimento da criança em relação à prontidão para a alfabetização.

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